Zé di Sucupira

Por GN em

Zé di Sucupira. Fonte: Facebook

Manuel Mendes Correia

S. Lourenço, Fogo, 1962

Produtor, editor

Produtor e editor de cerca de 55 títulos entre CD e DVD, Zé di Sucupira foi responsável entre 2000 e 2010 pelo lançamento de um amplo grupo de novos artistas, seja através da série Projecto Verão – CD colectivos anuais em que vários novatos tiveram a primeira oportunidade de gravar –, seja pela edição de álbuns individuais, caso de Edson Dany, Nany Vaz, Zé Espanhol, entre outros. Além dos principiantes, editou dois discos de Zeca di Nha Reinalda (Dia dia e Camponês), um de Jorge Neto (Dia diferenti), um de Binho e Flor di Rabenta, do antigo membro do Rabenta (Tchada Ruberinha, CD+DVD) e um de Belo Freire (Pila Sior di Mundo). Zouk, funaná e outras novidades musicais dessa década, como a mistura de funaná e soukouss, são o forte no catálogo da Cabo Verde Productions, empresa criada por Zé di Sucupira em 2000.  

Polivalente, além dos trabalhos que produziu gravando no seu próprio estúdio, em que trabalhava em parceria com Dabs, fazia um pouco de tudo: compôs música e letra, participou nos coros, foi o realizador e operador de câmara dos DVD que lançou, só recorrendo a terceiros para o trabalho de edição.

A sua história como produtor e editor começou, como indica o nome, no mercado Sucupira, ponto de grande actividade comercial na cidade da Praia, onde em finais da década de 1980 vendia roupa e calçado. Em 1989, passou a vender rádios e leitores de cassetes. Para experimentar os aparelhos, naturalmente era necessário haver cassetes, que ele comprava e acabava vendendo junto com o equipamento. A procura de cassetes por parte dos clientes era frequente, então passou a comprar em maior quantidade para revender. Inicialmente trazidas de Lisboa por comerciantes do Sucupira, mais tarde o próprio Zé di Sucupira passou a ir comprá-las no Senegal – muitas vezes com prejuízo, por dificuldades no despacho na Alfândega, refere em Cabo Verde & a Música – Dicionário de Personagens.

“Em 1993 começam os CDs”, recorda, sendo o Senegal a origem dos primeiros que pôs à venda na sua loja: “Discos de zouk e soukouss. Cabo Verde Show também já havia nessa altura, com coladeiras dançantes, kolazouk…”. Em 1998 abriu uma loja de discos com o nome Cabo Verde Productions, na Achada Santo António, tal como a do Sucupira, onde o negócio passou também a girar unicamente à volta da música.

Em 2000, começou a produzir discos: Projecto Verão 2000 foi o primeiro, repetindo-se a cada ano um novo Projecto Verão, num total de11, tendo o último saído em 2010. A partir daí Zé di Sucupira interrompe as actividades de produção e edição. “Parei devido à pirataria, não é possível ganhar nada, depois de tudo o que se gasta, se em toda esquina há pessoas a vender discos copiados dos originais”.

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