Augusto Casimiro

Augusto Casimiro dos Santos
Amarante, Portugal, 1889 – Costa da Caparica, Portugal, 1967
Compositor
Augusto Casimiro, militar deportado para Cabo Verde na sequência da revolta da Madeira (quando a guarnição militar local reagiu contra a instauração da ditadura em Portugal, em 1931), aparece na discografia cabo-verdiana como autor da morna “Praia d’Aguada” (não confundir com “Morna d’Aguada”, de Eugénio Tavares, que por vezes aparece com o título “Tarde d’Aguada“). A letra, escrita em português, teria sido vertida para a língua cabo-verdiana por Eduíno Nunes, segundo a obra A Morna na Literatura Tradicional (Moacyr Rodrigues & Isabel Lobo, 1996).
Augusto Casimiro percorreu todo o arquipélago nos seus cinco anos de “forçada ausência”, como recorda num artigo no Diário de Lisboa reproduzido em Cabo Verde (“Portugal crioulo”, em O Arquipélago, 04.02.1965).
Interessou-se muito por aspetos da cultura e vivências locais, como atesta a sua colaboração com a imprensa cabo-verdiana da época. Um excerto do seu livro Portugal Crioulo foi publicado em primeira mão pelo Notícias de Cabo Verde – a obra só será editada em 1940. O texto, intitulado “O canto dos bois”, descreve uma cena de kolá boi no Paul (Notícias de Cabo Verde, 20.10.1934). Em outra edição do mesmo jornal, Casimiro revive o ambiente de um picnic no Mato Inglês, ao som de “músicas de ópera e ligeiras, executadas pelo gramofone” (“Passeio no Mato Inglês”, Notícias de Cabo Verde, 11.08.1934). O lançamento de Folclore Cabo-verdiano, de Pedro Cardoso, em 1933, foi motivo para uma resenha da sua autoria no jornal O Eco de Cabo Verde (15.07.1933).
Publicou também na imprensa cabo-verdiana poemas inspirados nas ilhas, como revelam estes títulos: “Fala crioula” (Notícias de Cabo Verde, 24.11.1934); “Mulher da Brava” (Notícias de Cabo Verde, 08.12.1934); “As ilhas ao luar” (O Eco de Cabo Verde, 01.05.1933); e “Terra e mar da Brava” (O Eco de Cabo Verde, 30.03.1934).
Na Brava, mais precisamente na Aguada, terá vivido a maior parte do tempo que passou no arquipélago, daí naturalmente o contacto com o compositor Eduíno Nunes. Num manuscrito do seu espólio na Biblioteca Nacional, em Portugal, encontra-se um poema de 1932 intitulado “Para as raparigas da Brava cantarem embalando…” (em que a palavra “raparigas” é rasurada e substituída por “noivas”), o qual retoma nas últimas estrofes o refrão imortalizado por Eugénio Tavares: “Ná, menino, ná…”.
Além dos livros de temática cabo-verdiana – como Ilhas Crioulas (1939) e Portugal Crioulo (1940) – Augusto Casimiro, que viveu também em Angola, publicou uma vasta obra em que se incluem ensaios sobre África, questões coloniais, história e temas militares. Nos seus últimos anos de vida dirigiu a revista Seara Nova, que se destacou na oposição ao salazarismo. Fonte: Cabo Verde & a Música – Dicionário de Personagens.
Composição gravada
Praia d’Aguada – Fernando Quejas, EP Mornas, [déc. 1960] (capa traz indicação da autoria como sendo parceria de Casimiro com Raul Medina); Gardénia Benrós, LP Gardénia Benrós (1986); Mário Lúcio, CD Ao vivo e aos outros, 2006.
Para saber mais
Jornal A Voz de Ermesinde.
Revista de História (Universidade de São Paulo), O Vértice do Atlântico. Cabo Verde na criação literária de Augusto Casimiro (1931-1964).