Nanuto

António Manuel Fernandes
Angola, 1957 – Lisboa, 2026
Instrumentista (saxofone)
O saxofonista angolano Nanuto manteve ao longo da sua carreira uma relação de grande proximidade com a música cabo-verdiana. Residindo em Portugal desde o início dos anos 1990, atuou em palco e em gravações com um grande número de artistas de Cabo Verde, entre os quais Tito Paris, Nancy Vieira, Bana, entre muitos outros.
Tinha saído de Angola integrado num grupo para uma digressão na Europa. Não voltou com os outros músicos e fixou-se em Lisboa, passando logo a atuar em espaços de música ao vivo. Um dos primeiros espaços em que tocou foi o Pilon, casa noturna no bairro de Alcântara, sociedade entre Emanuel Varela e Dany Silva, que marcou época na primeira metade da década de 1990 em Lisboa.
Em entrevista ao Público, revela: “Na altura [como saxofonista de carreira internacional], Cabo Verde tinha o Luís Morais [1935-2002]. Ora eu sempre estive muito ligado a músicos cabo-verdianos a partir de Angola. E quando vim para Portugal mantive esse elo”.
Além dos cabo-verdianos, em cujos trabalhos foi presença constante, Nanuto colaborou com nome como Luís Represas, Bonga, Alicia Keys, Sting, Pablo Milanês, Martinho da Vila, Simone, Daniela Mercury, Lecy Brandão, ente outros.
A solo, gravou os álbuns Gato Vijú (2019), Ximbika (2015), Bisa (2005), Luandei (2002), Kizofado (2000) e Marés (1996).
Antes de assumir o pseudónimo de Nanutu, o músico utilizou o epíteto Nandinho, alcunhado pelo músico também angolano David Zé, segundo o site www.bantumen.com, que conta a sua história: Nanutu iniciou-se na música pela bateria, aos 9 anos, na Casa dos Rapazes de Luanda. Seguiu-se o clarinete e então chegou ao saxofone, instrumento que tocou em vários grupos em que participou: Agrupamento Aliança FAPLA-Povo, Merengues e Semba Tropical.
Em 2025, Nanuto foi condecorado pelo presidente angolano João Lourenço, no âmbito das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional. A homenagem, na “Classe Paz e Desenvolvimento”, reconhece o seu contributo notável para a música angolana, através da valorização do saxofone como instrumento de expressão cultural e artística, segundo Bantumen.


Para saber mais
Texto de Nuno Pachecho no Público.