Martinho da Silva

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Portugal, (?)
Cantor
Admirador da morna, Martinho da Silva, “cançonetista da rádio e TV portuguesa” nos anos 1960, cujos discos terão estado em voga na altura em Portugal, Angola e Moçambique, aparece na discografia relacionada com Cabo Verde por ter gravado várias composições neste género: um dos seus EP têm o título Mornas, outro Mornas de Cabo Verde e um deles traz a composição “Mar eterno”, de Eugénio Tavares, cuja autoria é atribuída ao cantor, o que foi muito mal recebido em Cabo Verde: um artigo no jornal O Arquipélago em 19.12.1968 insurge-se contra a atitude de Silva, no artigo “O seu a seu dono”, referindo que é já a segunda vez que tem de “denunciar o pretenciosismo” do cantor. “Martinho da Silva terá privado, em Lisboa, com B.Léza (…) de onde lhe terá vindo o gosto pela nossa música”, lê-se no texto, que lembra que uns anos antes a revista Plateia publicara que “Mar eterno” seria da autoria de Silva e critica duramente o intérprete por usar esse recurso para ter êxito na vida artística.
Martinho da Silva utilizou melodias cabo-verdianas com novas letras, em português, caso de “Cai no mar”, que com o título “Prece ao mar”aparecena compilação Mornas/Coladeras Cabo Verde (1984) com a menção “Luís Simão sobre tema de Eugénio Tavares”. “Fidjo magoado”, por sua vez, é gravada com letra em português a falar de senzala e do negro que pecou por adorar “a filha branca do senhor”, remetendo para um imaginário para lá de colonialista logo na música que se diz que era a preferida de Amílcar Cabral. “Feiticeira de cor morena”, “Bia”, “Tanha” e “Ondas sagradas” (B.Léza) são outros exemplos de mornas no seu repertório.
Discografia
- Mar eterno, EP, Parlophone, Lisboa, 1958.
- Martinho da Silva, EP, Parlophone, Lisboa, (déc. 1960).
- Mornas de Cabo Verde, EP, Rapsódia, Porto, (déc. 1960).
- Mornas, EP, Alvorada, Porto, 1968.
- Beijo de Fogo, Parlophone, Lisboa, (?).
- Participação no LP Mornas/Coladeras Cabo Verde (coletânea), 1984, com “Prece ao mar”, do EP Mornas.




