Aniba Henriques, Nho

Aníbal Álvaro Avelino Henriques
São Filipe, Fogo, 1891 – Lisboa, Portugal, 1963
Compositor
Autor de versos mordazes e peças teatrais – espólio na maior parte perdido –, Nho Aniba Henriques foi chamado, pelo escritor Baltasar Lopes da Silva, “o Gil Vicente do Fogo”. Criticou a soberba da sociedade em que vivia, na composição “Bida Djarfogo”, editada em disco em 1999 pelo grupo Raíz di Djarfogo. O autor da música é, supostamente, Príncipe de Ximento, músico da camada popular de quem costuma dizer-se que musicava versos de Nho Aniba, ficando este incógnito.
Comerciante e proprietário de terras, Nho Aniba Henriques deixou a imagem de uma personalidade complexa. Pelo seu temperamento instável, despertava ao mesmo tempo simpatia e rejeição. Pertencendo ao mundo dos brancos abastados, como membro de uma das famílias tradicionais da ilha, relacionava-se com pessoas das camadas mais baixas, numa sociedade que ainda no seu tempo vivia um apartheid baseado no nível socioeconómico e na cor da pele. Foi ao mesmo tempo um acérrimo opositor do regime de Salazar. Alguns textos seus encontram-se publicados em edições da revista Magma.
Nho Aniba Henriques foi uma das pessoas que esteve na origem da restauração da bandeira de São Filipe, em 1917, que tinha passado vários anos sem ser festejada, pelo que é o patrono da Casa das Bandeiras, na cidade de São Filipe.
Para saber mais/Composições
“Bida Djarfogo” e “Figuras do Fogo – Quem se Lembra de Nho Aniba?”, revista Magma, nº 3, abril 1989.
“Sampadjudo na Capital”, Magma, nº4, novembro 1989.
Composições gravadas
Bida Djarfogo (aparece com o título Grandeza di Djarfogo); Catchó (letra de Nho Aniba sobre tema popular): Raíz di Djarfogo, CD Cap-Vert Raíz di Djarfogo, 1999.