Zé Orlando

Orlando Lima Pires
São Tomé, São Tomé e Príncipe, 1961 – Amadora, 2023
Produtor, editor
Como proprietário da Sons d’África, empresa de edição e comércio de discos localizada na cidade da Amadora, região de Lisboa, Zé Orlando foi, desde 1988, o responsável pelo lançamento de um grande número de discos de artistas de Cabo Verde e dos países africanos de língua portugesa de modo geral, bem como de relançamentos em suporte CD de discos da era do LP.
Filho de cabo-verdianos, nascido em São Tomé e Príncipe, foi aos 8 anos que conheceu Cabo Verde, onde permaneceu até 1975, partindo então para Portugal. Nos arredores de Lisboa, a música era motivo de reunião entre os jovens filhos de imigrantes. No bairro das Fontainhas, Zé Orlando formou com outros rapazes nascidos em São Tomé e Príncipe, de famílias cabo-verdianas, o grupo Jovens Africanos (1980-1983). Cantava e tocava bateria. Mais tarde, como vocalista, passou pelos grupos Cretcheu e Contratempo, ambos no Cacém. Em 1985, o Cretcheu pretendia gravar, e foi aí que a carreira do cantor novato começou a mudar para o tornar o maior editor de música africana de Portugal. Com algum dinheiro ganho num espetáculo para a campanha eleitoral de 1985, Zé Orlando investiu como coprodutor na gravação de Joselda da Curtição, primeiro registo do Cretcheu, que saiu em cassete em 1986.
Em 1987, gravou a solo pela primeira vez, assumindo a produção de Cretcheu de Verão, que saiu apenas em cassete. Em 1990, lançou o LP Mar Azul – Levam Nha Cretcheu, com a participação vocal de Nuno Santos, guitarrista do África Star. Dois anos depois saiu Encontro de artistas (reunindo a Zé Orlando Pedro Ramos, Blick Tchutchi, Djô, Nuno Santos, Loy d’Tchutchi, Zé Lino e Toy Vieira) e, em 1993, Reencontro de Artistas (com Toy Vieira, Júlio Silva e Zezé Barbosa, entre outros). Gravou também um tema no LP Oh! Africa.
Entretanto, o trabalho como produtor prosseguia. Na década de 1990, surgiu em Lisboa uma nova geração de artistas com origem nos países africanos de língua portuguesa, cujos primeiros trabalhos passaram por Zé Orlando: Eduardo Paim, Ruca Van Dunem e Justino Delgado são alguns deles. Associado ao estúdio Gravisom, começou a produzir discos de forma acelerada. “Havia nessa altura muita gente a querer gravar e uma grande procura de música africana”, recorda o produtor em Cabo Verde & a Música – Dicionário de Personagens. Na altura da entrevista para o dicionário (2013), Zé Orlando já tinha perdido a conta do número de álbuns que pusera no mercado.
Quando tomou a decisão de investir a fundo na produção discográfica, Zé Orlando, que até aí trabalhara nas obras, não imaginava a dimensão que o negócio iria tomar. É assim que, dos LP com as iniciais ZO, passou-se a ver nas capas Zé Orlando/Sons d’África, depois simplesmente Sons d’África. Em 2002, a empresa com sede na Damaia passou a ser designada Sons d’África Edição e Produção de Som e Imagem, Lda., com lojas em vários países, editando e distribuindo CD, vídeos e DVD. A comercialização pela Internet veio a seguir.
Ao mesmo tempo que foi lançando novos nomes para o público jovem ávido de modismos, a Sons d’África recuperou para o suporte CD, através das séries denominadas Sodade, uma enorme quantidade de LP das décadas de 1970 e 1980 que, de outro modo, passariam ao esquecimento. Contudo, as capas raramente trazem informações das fichas técnicas, pelo que esse resgate fica incompleto num aspeto em que poderia ter um papel crucial: o da preservação da memória musical de Cabo Verde num período em que se entrelaçam questões ligadas à cultura, à independência política e à emigração. E boa parte dessa produção discográfica passa por aquela que está entre as principais cidades cabo-verdianas, a Amadora, onde se localiza a Sons d’África.





Discografia
- Cretcheu de Verão, cassete, 1987.
- Mar Azul – Levam Nha Cretcheu, LP, Zé Orlando, Amadora, 1990.
- Encontro de artistas, LP, Zé Orlando, Amadora, 1990.
- Reencontro de Artistas, Zé Orlando, Amadora, 1993.
- Participação no LP Oh! Africa.


