José Araújo

Por GN em

José Araújo. Fonte: www.barrosbrito.com

José Eduardo de Figueiredo Araújo

Praia, Santiago, 1933 – Praia, Santiago, 1992

Compositor

Compositor, ter-se-ão possivelmente perdido músicas suas, ficando registadas apenas três. “Carta”, que Fernando Quejas grava no seu segundo EP, em 1952, será, 40 anos mais tarde, interpretada pela filha do compositor, Teresinha Araújo, no primeiro concerto do grupo Simentera, dois meses após a morte do pai. Grava-a também no primeiro registo discográfico deste grupo, de que foi uma das fundadoras, incluído no CD Music from Cape Verde, entre outros artistas.

Outras duas composições, “Nôs riqueza” e “África raiz”, constam do primeiro trabalho a solo de Teresinha, que esclarece: “O meu pai ensinou-me essas mornas já no fim da sua vida, e custou-lhe lembrar estas. “África raiz” foi escrita quando ele estudava em Lisboa, em finais dos anos 1950, e fala da tentativa do colonialismo de fazer intriga para separar Cabo Verde da África para poder governar melhor. Contudo, a segunda parte ele não conseguiu recordar completamente, então a solução que encontrou foi escrever outra coisa, já num outro contexto [o de Cabo Verde independente], daí o verso ‘mas já voltou para ela’. Porque, apesar do título, na letra não aparece a palavra ‘África’, mas percebe-se logo que é de África que ele fala” (Cabo Verde & a Música – Dicionário de Personagens).

Nascido na Praia, José Araújo viveu a infância em Angola, e nos anos 1950 partiu para Portugal, onde se formou em Direito. Em 1961, integrou, com a mulher e a filha de três meses, o chamado “grupo dos 40”, que reuniu militantes dos movimentos de libertação das então colónias portuguesas – entre os quais Pedro Pires, Jonas Savimbi, Joaquim Chissano, Daniel Chipenda e muitos outros – numa surpreendente fuga que os levou a França, facto que representou na altura um grande golpe contra o regime salazarista.

Nessa época, dado o seu passado em Angola, José Araújo militava no MPLA. De França partiu para Brazzaville, onde este movimento tinha o seu quartel-general, mas surgiram incompatibilidades que levaram a que a família se transferisse para Conacri, onde Araújo integrou o PAIGC. Neste partido desempenhou funções na área da informação, ocupando-se de publicações e fundando a Rádio Libertação, que dirigiu.

A seguir à independência, ocupou funções de direção nas estruturas do PAIGC na Guiné-Bissau. Em novembro, de 1980, quando o golpe de Nino Vieira pôs fim à unidade Guiné-Cabo Verde, regressou
a Cabo Verde, onde foi ministro da Educação e Cultura (1981-1984) e da Justiça (1986-1988). Foi fundador e dirigente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria e, pela sua atuação na luta pela independência, foi condecorado, um ano antes da sua morte, com a medalha do primeiro grau da Ordem Amílcar Cabral (A Semana, 24.01.1992).

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