Estórias em Vinil

Por GN em

Estórias em Vinil é um projeto do colecionador português Pedro Centeno, um apaixonado por discos que vem ao longo dos anos acumulando um importante acervo. E a música cabo-verdiana tem aí o seu lugar. Considerando que os objetivos de ambos estão em sintonia, Estórias em Vinil tornou-se um parceiro de Cabo Verde & a Música – Museu Virtual, e tem aqui um espaço onde serão sempre partilhadas as “novas” descobertas desse trabalho que é uma verdadeira arqueologia discográfica.

Anos 50 na discografia cabo-verdiana

Adolfo Silva e seu Conjunto

Nos anos 1950, discos com música cabo-verdiana começaram a ser gravados em Portugal. Eddy Moreno com a irmã Djuta Silva ou com o seu próprio grupo e ainda com Black Daisy são nomes que se destacam naquele período. Na foto ao lado, Black Daisy e Adolfo Silva em Dakar, 1961 (foto: Jorge Leite, arquivo de Valdemar Pereira, reproduzido do blog Esquina do Tempo).

Adolfo Silva interpreta a morna “Mar de Lua Cheia”, de Eugénio Tavares, embora o nome do compositor não apareça. A gravação é provavelmente de 1956 ou 1957. Observe-se que a letra, nesta gravação, é cantada em português.

No mesmo disco, a morna “Moreninho” (também sem a indicação do autor) aparece na voz de Black Daisy, que nessa época atuava com Adolfo Silva.

Adolfo Silva e Seu Conjunto, aqui a composição “Canção da Mãe Branca”, identificada como “ritmo africano”.

“Grandeza”, talvez a mais conhecida composição de Eddy Moreno, na qual ele faz ironia com a vaidade de figuras da sociedade mindelense do seu tempo e a importância que davam a visitar a metrópole colonial.

Titina, Longino, Jorge Pedro Barbosa e Teresa Lopes da Silva

Além dos artistas que tinham acesso às editoras discográficas fora de Cabo Verde, alguns deles gravarm em Cabo Verde, em finais da década de 1950. Estórias em Vinil revelou aos internautas em setembro de 2025 um conjunto de gravações em 78 rotações com registos que na atualidade são raridades. Algumas já saíram em disco, como as de Cesária Évora que aparecem no álbum Rádio Mindelo (Early Recordings), “Vaquinha Mansa” e “Pé de Boi”. Outras estão aqui:

Titina, nestas primeiras gravações que realizou, na Rádio Barlavento, intepreta as koladeras “Corveta” e “Sampadjuda”.

Estes registos não foram editados comercialmente, mas chegam aos nossos dias num disco de acetato no qual foram reunidas a partir do seu suporte original. O disco contém ainda duas gravações de Cesária Évora:

Longino foi vocalista em vários grupos em São Vicente, nos anos 1960, período em que a koladera fazia a sua ascensão como um dos géneros musicais mais aprecidados pelos cabo-verdianos.

Jorge Pedro Barbosa, mais conhecido como compositor de alguns clássicos no género da koladera, aparece aqui com Nho” Miguel Pulnor”, cantiga tradicional do chamado bta saúde.

Muito antes de ter gravado o CD Promessa, na década de 1990, Teresa Lopes da Silva registou a sua voz nos estúdios da Rádio Barlavento.

Duas gravações de 1948

Uma morna em português, outra em cabo-verdiano. O nome da cantora Sílvia Carvalho não ficou para a posteridade, mas surge nesta arqueologia sonora de Cabo Verde. Terão sido gravadas na Praia em 1948 e passadas para acetato pela Rádio Graça, em Portugal, em 1964.

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