Ga da Lomba

Clóvis Graziani da Lomba
Praia, Santiago, 1984
Cantor, compositor
Antes mesmo da viagem aos Estados Unidos da América, na adolescência, que marcaria o seu percurso no rap, Ga da Lomba já demonstrava interesse por esse género musical na infância. “Na escola primária do Lavadouro já tinha decido que ia ser um artista”, contou ao portal DexamSabi. Nas ruas do Paiol, bairro da capital cabo-verdiana onde viveu os seus primeiros anos (criado pela mãe e pela avó), tentava improvisar com os amigos versos e rimas (freestyle).
Nos anos do liceu – frequentou a Escola Secundária Domingos Ramos – viria a surgir Ga Pizada, a sua primeira persona musical. Nesses meados dos anos 1990, o hip hop americano fervilhava entre a juventude praiense e artistas como o norte-americano Tupac eram uma influência incontornável (mais tarde Dmx, Jay Z, Onixn e os nacionais Black Side, Ice Company e Djedjé engrossariam a lista de referências).
Para Ga da Lomba era sobretudo uma época em que, com amigos, tentava traduzir para o crioulo as letras das canções de cassetes recebidas dos EUA, e também o momento das primeiras composições originais escritas nas páginas dos cadernos da escola. Ainda no liceu fez a sua primeira atuação em palco. Ultrapassada a timidez dessa primeira vez, seguiram-se apresentações por diferentes bairros da capital. Por influência de um amigo, integrou o grupo de rap Black Star, cujo nome viria a ser alterado para New Generation, depois Top Star, NPNG e finalmente Black Stone, que veio a ter mais visibilidade.
Quando frequentava o 11º ano do liceu viajou para os Estados Unidos, onde vivia o pai, relatou a Cabo Verde & a Música Museu Virtual. Aí, para além de maior familiaridade com a lingua inglesa, aprofundou o conhecimento da cultura hip hop. Integrou o grupo Tropas de Cabral mas a expectativa de ver a carreira evoluir saiu frustrada, pois o grupo continuava a dedicar-se apenas ao freestyle e a algumas atuações em festas do bairro em que viviam. No entanto, a convite de um amigo, entrou pela primeira vez num estúdio musical – o Misterious Records – e participou na gravação de uma música.
Em 2003, Ga da Lomba – ainda Ga Pizada – regressou a Cabo Verde. Iniciou então a sua colaboração com Azayaz, jovem músico do Bairro Craveiro Lopes na altura muito influente na cena hip hop da cidade da Praia. Integrado no grupo Diplomatas, Ga tem a sua primeira participação creditada num CD: “Hip Hop Praia”, produzido por Azayaz no seu estúdio, Az Records. O disco conta ainda com as participações de Éder Xavier, Bairro Side, Tupac, Yano, Ney, e outros rappers emergentes. Nessa fase intensificam as atuações ao vivo, quer em alguns festivais quer em campanhas eleitorais, shows nos liceus, etc. Em 2008, com Ste participa na mixtape Capacidade de Muda, e em 2009 aposta no seu primeiro trabalho a solo, o single Séc. XXI, e começa a ser ouvido na rádio com alguma frequência.
Segue-se um período de pausa por alguns anos, ditado por problemas com drogas. Em 2013 tentou pela primeira vez a reabilitação. Em 2015, a segunda reabilitação foi bem sucedida. Nessa altura, alterou o seu nome artístico para Ga da Lomba. No ano seguinte, lançou a mixtape Lomba na Mixtape, de onde sobressaem os temas “Agradecimento” e “Mamá Perduam”. Este último viria a estar nomeado aos Cabo Verde Music Awards (CVMA) em 2017, na categoria Melhor Hip Hop.
Uma das facetas mais marcantes de Ga da Lomba é o ativismo social. Depois de controlar a sua dependência, tornou-se defensor da prevenção ao consumo de drogas. Criou a Fundação Garah, que em 2017 deu início ao projeto Nunca Experimentar. Trabalha desde então visitando escolas e comunidades para conversar com jovens sobre os riscos das drogas e do alcoolismo. O projeto já percorreu várias ilhas de Cabo Verde e valeu-lhe a Menção Honrosa – Artista Solidário nos CVMA em 2018.
Em 2018 lançou o primeiro álbum a solo: Pizada vs. Da Lomba – Dupla Personalidade. O disco, com participações de Hélio Batalha e Fattú Djakité, entre outros, traz reflexões sobre identidade africana e cabo-verdiana, temas ligados à família, juventude e valores sociais e sobretudo mensagens de superação pessoal.
Ao longo da carreira Ga da Lomba tem tido colaborações com vários nomes da música cabo-verdiana, como Tony Fika, Djodje, Gil Semedo, Beto Dias, Princezito, Thairo Costa, Paulinha, etc. Com Grace Évora e Kuumba gravou “Anju da Guarda”, premiado Melhor Hip Hop nos CVMA em 2021, de onde também saiu com o troféu para Melhor Colaboração com o tema “Afrokabuverdianu”, ao lado de Kuumba. Nesse mesmo ano, lançou o tema “Mizéria Spiritual” com a participação de Zeca Nha Reinalda.
Em 2023, Ga da Lomba assinou contrato com a Klasszik, produtora ligada a artistas como Soraia Ramos e o duo Calema. Desde então, tem vindo a lançar novos singles e a expandir a sua carreira musical sem abandonar a vertente social.



Discografia
- Capacidade de Muda, mixtape, edição de autor, 2009. Com Ste.
- Séc. XXI , single, edição de autor, 2009.
- Lomba na Mixtape, mixtape, edição de autor, 2016.
- Pizada vs. Da Lomba – Dupla Personalidade, pendrive, edição de autor, 2018.