Música de intervenção em Cabo Verde

Servindo-se de diferentes géneros musicais, cabo-verdianos ou não, a música engajada politicamente surge em Cabo Verde no período da luta de libertação e prossegue por alguns anos após a independência, na perspectiva da construção do novo país.

Um dos mais significativos documentos dessa época é o LP Música Cabo-Verdiana – Protesto e Luta, gravado na Holanda e na ex-RDA, editado pelos Serviços Culturais do PAIGC em 1974.

Korda Skrabu! Este PL editado pelo PAIGC em 1974 contém as canções da peça teatral intitulada Korda Skrabu!, obra do grupo Kaoguiamo, formado em Paris por, entre outros participantes, os irmãos Tony Lima e Jorge Lima, que desde os anos 1960 estudavam em França e militavam no PAIGC.

No álbum Hora dja Tchegá, de Frank Mimita, entre mornas e temas tradicionais, há também composições no âmbito da música de intervenção.

Zé Júlio, no seu único álbum, Pa hora d’ligria dos más pênád, editado em 1975, traz poemas musicados de Kwame Kondé (“Balentis de Pidjiguiti”), Kaoberdiano Dambará (“Fasta korassan doxi”) e Ovídio Martins (“Mudança”), além de temas da sua autoria. Um álbum que ficou bastante obscurecido ao longo dos anos e que, graças à internet, hoje pode ser fruído por um grande número de ouvintes.

Sanjon na Ribera de Jilion, LP gravado por um grupo de músicos em que está Frank Cavaquinho, Jon Spedinha, Chala e outros, cujas fotografias aparecem na capa, mas cujos nomes são omitidos. Naquele momento de afirmação nacionalista, trata-se de um trabalho de valorização das tradições – São Silvestre e kolá Sanjon – com temas de intervenção, como “Labanta braço” e “Exploraçon cabod”.

Em Pepe Lopi (1976), primeiro LP d’Os Tubarões, a faixa que abre o álbum é “Labanta Braço”, de Alcides Spencer Brito, cujo título original seria “5 de Julho”, segundo Carlos Gonçalves em Kab Verde Band: “(…) a música que reproduz fielmente os momentos de euforia vividos no dia 5 de julho de 1975, quando foi tocada em público pela primeira vez”. Mas outras composições além desta referem-se também ao momento político que se vivia então.

Tchon di Morgado (1978), segundo álbum d’Os Tubarões, traz também temas de intervenção, saudando o 5 de Julho, falando de Patrice Lumumba, Kwame Nkrumah e Amílcar Cabral, e com temas de crítica social.

Djonsinho Cabral (1979) traz a composição com o mesmo título que afirma que o morgado já não toma a terra do camponês, simbolizando uma virada na vida dos cabo-verdianos. Outros temas tratam também de questões sociais, como a pobreza e a necessidade de emigrar, mas perpassam este álbum mensagens de esperança e um olhar para o futuro.

Tabanca, de 1980, traz temas ligados à música de intervenção como as mornas “Nha terra aonte e aoje”, de Kaká Barbosa, e “Neto”, uma homenagem de Tonecas Marta a Agostinho Neto, que em determinado período da sua vida foi obrigado a viver em Cabo Verde por imposição da polícia política portuguesa.

O grupo Kings é outro exemplo da adesão de jovens músicos de então à euforia nacionalista que marcou o período da independência de Cabo Verde. Quase 50 anos depois do lançamento de “Flor di Revolução” pelo Kings, o grupo Delidel Touch traz a sua versão da composição

Esta é uma

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