Ritmo e poesia em várias línguas 

Por GN em

Por Gláucia Nogueira

Dados os fluxos migratórios que ao longo do tempo espalharam os cabo-verdianos pelo mundo, os versos dos rappers cabo-verdianos ou tendo a sua origem nas ilhas aparecem em diferentes línguas, conforme a proximidade e familiaridade de cada um com o idioma do local onde vive – e em vários casos, onde nasceu. 

Em Portugal, aparecem rappers cabo-verdianos a rimar tanto na língua portuguesa como na cabo-verdiana, e há casos interessantes como o de Juana na Rap. Esta portuguesa sem qualquer ligação familiar a Cabo Verde rima em muitos dos seus trabalhos em cabo-verdiano, por ter tido contato com este idioma desde criança, no Monte da Caparica, bairro onde cresceu. Sua história é contada em Hip Hop Tuga (Ricardo Farinha), livro que conta a história do rap em Portugal e no qual a participação cabo-verdiana fica bem clara.

Outros exemplos na mesma linha, a transitar entre o português e o cabo-verdiano apenas pelo contato com a população dos bairros habitados por migrantes das ilhas, são Piruka e Mota Jr.. O tema “Ca Bu Fla Ma Nau” (parceria dos dois) contribuiu para catapultar a carreira de Piruka, um jovem que à partida nada tinha a ver com a população dos bairros periféricos da Grande Lisboa, mas que acabou por ter, como mostra Hip Hop Tuga.

Ainda no que diz respeito ao idioma das letras, é interessante notar que, no território português, o rap começou em inglês e foi parar no cabo-verdiano, com um brasileiro pelo meio. Isso porque Gabriel o Pensador, rapper brasileiro que ganhou grande popularidade em Portugal nos anos 1990, foi determinante para que o rap neste país começasse a ser feito na língua portuguesa, com os seus criadores deixando de lado o inglês dos primeiros tempos, quando, inspirados nos seus ídolos dos Estados Unidos, rimavam em inglês. 

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