Zunga Pinheiro

Ricardo Azevedo Pinheiro
Nova Sintra, Ilha Brava, 1957
Instrumentista (violão), engenheiro de som
Depois de começar a aprender violão com o irmão Vuca Pinheiro, Zunga Pinheiro, na adolescência, na Praia, criou uma banda com colegas, da qual entre outros fazia parte Zequinha, mais tarde vocalista do Bulimundo.
Ao emigrar para os EUA em 1982, o seu projeto era um curso de pilotagem, mas a partir do contacto com Ramiro Mendes acabou por desviar-se para a área musical e logo começou a trabalhar no estúdio dos Mendes Brothers. Ambos ingressaram então na licenciatura em música na Berkeeley University, e Zunga especializou-se em engenharia de som e produção. Nessa altura, tocou em alguns discos, como o primeiro de Vuca, Força di cretcheu; Andorinha di bolta, de Sãozinha; e Subi montanha, de José Silva, entre outros, mas a área técnica é que prende a sua atenção. Durante algum tempo, frequentou estágios na área da publicidade, rádio e televisão.
A ideia de voltar para Cabo Verde, contudo, prevaleceu e, apesar de oportunidades que se abriram para trabalhar na indústria do disco em Nova Iorque e Los Angeles, regressou em 1995, fixando-se na Praia. Após alguns anos a trabalhar na TCV, na área técnica, o projeto de abrir um estúdio concretizou-se em 2000: é o Kapital Estúdios, inicialmente em sociedade com Gugas Veiga, depois individualmente.
Apesar da sua experiência como produtor, Zunga desinteressou-se dessa área a partir de certa altura, refere em Cabo Verde & a Música – Dicionário de Personagens, “devido ao predomínio de programas informáticos que vêm substituir o trabalho de vários profissionais com as suas especificidades (o produtor musical, o arranjador, o diretor musical) com evidentes perdas na qualidade, sem contar a fase da pós-produção que fica também comprometida, pela atuação de pessoas que sequer entendem as dinâmicas do som e uma só se ocupa de tudo”.
Passaram pelo Kapital Estúdios, entre outros, os álbuns de Isa Pereira, Hernani Almeida, Michel Montrond, Nho Nani e aquele em que se encontram juntos Nácia Gomi e Denti d’Oru. Zunga Pinheiro tem também proposto formações em áreas técnicas ligadas ao audio.
Embora não se assuma como compositor, Zunga Pinheiro tem algumas composições. É o coautor de “Branco velho, tinto e jeropiga”, música que marcou a carreira de Dany Silva, sendo o título do disco que o tornou popular em Portugal em 1981. Em parceria com Ramiro Mendes, compôs “Paranoia”, tema-título do álbum de 1992 de Mirri Lobo.
Composições gravadas
Branco velho, tinto e jeropiga (com Dany Silva); Paranoia (com Ramiro Mendes)