Chullage/Xullaji

Nuno Santos
Lisboa, 1977
Cantor, compositor
Filho de cabo-verdianos, nascido em Portugal, Chullage começa o seu percurso no rap a participar de coletivos na margem Sul do Tejo. Mais tarde prossegue a solo. Em 1999, participa no CD coletivo Subterrânea, de D-Mars (dos Micro), e, deste grupo, no álbum Microestática.
O seu primeiro álbum, Rapresálias, sai em 2001. O segundo é Rapensar, eleito o álbum do ano, em 2004, pelos leitores da revista portuguesa Hip Hop Nation. Rapressão vem a seguir (2012).
Licenciado em Sociologia do Trabalho, Chullage milita no associativismo social e intercultural. Foi colaborador do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), órgão do Ministério da Educação de Portugal. Criou e coordenou diversas oficinas de formação de jovens pela Associação Khapaz.
Num encontro com rappers em São Vicente, defendeu o uso da música “como ferramenta de educação” e que sirva para passar as mensagens dos ancestrais – “em vez de levarmos os discos de soul music americano (…) os discos antigos do Ildo Lobo, Cesária Évora ou África Star” (confira no blog de Dai Varela), prática que o músico deixa concretizada no seu projeto Pretu. Este é um dos nomes com que se apresenta, misturando samples “das suas referências africanas com o seu cosmos eletrónico e o seu pensamento sobre o pan-africanismo, o contexto político de África e da sua diáspora e amor…”, pode-se ler no website do artista, onde dá conta dua sua intensa produção em várias áreas.
No teatro, por exemplo, em que atua como sound designer, compõe e aparece em alguns trabalhos como ator, foi co-fundador do coletivo Peles Negras Máscaras Negras – “teatro do escurecimento, um grupo de teatro comunitário que mantém uma prática de discussão horizontal junto da comunidade africana da periferia”, lê-se no site. Entre as peças em que colaborou com este grupo estão Maria 28 sobre trabalhadoras domésticas e da limpeza em Lisboa, e Nha Kasa, Nha Morada, que trata da queatão da habitação. Colaborou também com o grupo de teatro Griot. Akapella47 é outra das suas criações, e designa a sua palavra falada.
As suas letras invertentivas, contra o racismo e a discriminação e com foco na sua ancestralidade africana e cabo-verdiana aparecem analisadas num artigo na obra Mobilidades e Memórias Transculturais (Universidade do Minho).
Para saber mais
“Rapensando África na música de Chullage” (Davide Gravato e Rosa Cabecinhas), artigo publicado em Mobilidades e Memórias Transculturais, obra editada pela Universidade do Minho.
Discografia
- Rapresálias, CD, ed. do autor, Lisboa, 2001.
- Rapensar, CD duplo, ed. do autor, Lisboa, 2004.
- Rapressão, CD, ed. do autor, Lisboa, 2012.
- Red Yes Gang, maxi single, Edel/Lisafonia, Lisboa, 2001.


