Gugas Veiga

Augusto Jorge Albuquerque Veiga
Lisboa, Portugal, 1971
Produtor, editor, empresário, governante
Gugas Veiga, iniciou a sua carreira como manager, produtor e editor em 2000, ao criar a empresa AV Produções, com um catálogo eclético que ia do hip-hop – Rapaz 100 Juiz (Claridade), Jay (Sempre bandidos) – à música tradicional de Nácia Gomi e N’toni Denti d’Oru (Finkadus na raiz), ou ainda o violino de Nho Nani, passando por talentos então emergentes como Vadú (Dixi rubera), Éder Xavier (Perfil) e Michel Montrond (Kamin di bedju).
O início das suas atividades no meio musical foi em 1994, quando começou a organizar concertos de hip-hop na Praia, depois de alguns anos nos EUA a estudar ciência política – curso que nunca teve a ver com a sua vida profissional. “Vivia-se um boom do hip-hop na altura, com vários grupos na Praia e em São Vicente, que atraiam muita gente”, recorda Gugas em Cabo Verde & a Música – Dicionário de Personagens. Mas foi sobretudo como manager do Ferro Gaita – a partir do êxito do primeiro álbum, Fundu Baxu (1998), dando uma reviravolta no funaná, ao resgatar o ferrinho e a gaita, seus instrumentos originais – que o trabalho de Gugas Veiga como produtor se afirmou.
A sua ligação com o Ferro Gaita começa em 1996, alguns meses após a criação do grupo, que Gugas Veiga costumava ir ver tocar no Garden Grill, espaço no bairro da Fazenda que na época era uma das opções de música ao vivo na cidade. Convidou-os a fazer a primeira parte num espetáculo de hip-hop e algum tempo depois foram os próprios membros do grupo a procurá-lo propondo que fosse o seu manager. Aceite o desafio, no ano seguinte sai o primeiro disco de uma carreira de sucessivos êxitos. Veiga vai começar a produzir outros trabalhos só cinco anos depois do lançamento do Ferro Gaita, pois “os primeiros tempos foram a construir a carreira e a imagem do grupo, nacional e internacionalmente”.
Cria então a AV Produções, fazendo agenciamento de vários artistas, em Cabo Verde e no estrangeiro, além da produção e edição de discos. Criou, em sociedade com Zunga Pinheiro, o Kapital Estúdios, onde foram gravados vários álbuns, em particular de artistas que apostam na gravação live e não nos recursos de programação eletrónica.
Gugas desde criança gostou de música, mas nunca tocou nenhum instrumento, apesar de ter tido aulas de piano com a mãe e de ter frequentado a escola de Pipita Bettencourt. Mas diz ter sempre ouvido música boa e assistido a muitos concertos no período passado fora de Cabo Verde, daí ter voltado cheio de ideias, que logo começou a pôr em prática.
Desde agosto de 2024, é o ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, depois de vários anos como Diretor-geral da Atlantic Music Expo (AME), evento que anualmente se realiza na Praia voltado para o mercado musical, em que artistas cabo-verdianos e de outros países divulgam os seus trabalhos.


