Cremilda Medina

Por GN em

Cremida Medina em concerto. Fonte: Facebook

Cremilda de Jesus Medina

Mindelo, São Vicente, 1991

Cantora

Cremilda Medina desponta no cenário musical cabo-verdiano quando foi uma das finalistas do programa musical televisivo Talentu Strela, um concurso de revelação de novos cantores que se realizou durante alguns anos, a partir de 2011. E já nesse ano, recebeu o seu primeiro prémio, em São Vicente, o de Melhor Intérprete Feminina na gala Mindel Prémio.

Mas já cantava desde menina, zouks, kolazouks e reggaes, que marcaram aquela época, e aos 9 anos fez a sua primeira atuação em público, na Gala dos Pequenos Cantores, interpretando o tema “Nha Vida”, de Lura, a representar a sua escola. Como recorda em entrevista a Cabo Verde & a Música – Museu Virtual (maio 2019), a emoção que sentiu ao enfrentar um palco e um público grande pela primeira vez não lhe permitiu atuar como devia ser, e acabou por não conseguir boa pontuação.

Aos 16 anos, integrou uma banda formada por estudantes do ensino secundário, denominada Ritmos, e faziam atuações para arrecadar fundos para atividades escolares e animações aos fins de semana. Após concluir o 12º ano, os membros do grupo se dispersaram e só Cremilda permaneceu no Mindelo. Foi então convidada para atuar na Casa d’Ajinha, espaço com música ao vivo criada por Kiki Lima no início dos anos 2000, e cantava também em outros espaços musicais da cidade.

Mais tarde, vivendo na Praia a estudar na Uni-CV, começou a atuar em lugares com música ao vivo e, a partir de certa altura, fazia coros para outros artistas. Uma noite no Quintal da Música, recorda-se, um turista perguntou-lhe onde poderia comprar o seu CD, que, nessa época ainda não existia, o que foi um estímulo.

Primeiro, gravou um videoclipe com a composição “Raio de Sol” (parceria entre Miguel Silva, seu marido, e Renato Monteiro), cujo tema faz alusão à avó materna de Cremilda Medina, figura importante na sua vida. A ideia era ver como as pessoas recebiam o seu trabalho, já com foco na morna e na koladera.  Este single valeu-lhe a sua primeira nomeação internacional nos EUA, nos International Portuguese Music Awards (IPMA), em New Bedford, assim como a nomeação para Melhor Morna e Melhor Videoclipe em Cabo Verde, onde venceu o prémio Sapo Award.

A  partir daí, o casal (Miguel Silva é o produtor de Cremilda Medina, e para esse trabalho criou a Move, empresa que faz a gestão da carreira da cantora) concluiu que era hora de avançar com um álbum. O resultado foi Folclore, editado em 2017.  

“Falta de força” e “Mata morte”, de Ti Goy,  e “Divorce ca ta sena”, de Manuel d’Novas, que integram esse álbum, foram temas que a cantora encontrou um pouco casualmente e pelos quais se interessou. Até aí, não conhecia verdadeiramente a obra esses compositores. Mais tarde, com mais experiência, passou a dar mais importância a conhecer o autor de cada música, para dar-lhes o devido valor, refere. “Quando estamos a cantar,  é como estarmos a ler um livro. Se o livro não é meu, tenho de mencionar de quem é.”

Folclore trouxe-lhe em 2018 um prémio nos International Portuguese Music Awards (IPMA), nos EUA,  na categoria Best World Music, com a composição “Divôrce um’ ca ta sená” e recebeu também o prémio de Melhor Morna e Sapo Award (pelo segundo ano consecutivo). Nos anos que se seguem lança vários singles, como Nôs Morna, em que canta em dueto com Tito Paris (2018), Tributo Final, Recordai e Amá Sem Mêde (2020). Em 2019 foi nomeada para os prémios Somos Cabo Verde – Os melhores do Ano na categoria Música.

O seu repertório tem se baseado na morna e na koladera. Para Cremilda Medina, a opção por esses géneros veio assim: “Eu sentia essa necessidade, porque as nossas estrelas maiores da música, como Cesária, Bana ou Ildo Lobo entre outros, já não estão mais entre nós. Falo da morna porque é o estilo que eu canto, que estou a começar a perceber. E incito outros jovens a que peguem num estilo e se dediquem a ele, para que essas nossas músicas tradicionais não caiam no esquecimento.”

Na mesma linha de Folclore, vem o segundo álbum, em 2023, tendo como tema-título a composição “Nova Aurora”, de Waldemar Lopes da Silva, um clássico da morna ligado à música de intervenção do período da luta pela independência, gravada originalmente por Nho Balta e mais tarde por Cesária.

Em 2026 sai o terceiro álbum, Lágrima. Este traz como novidade o acompanhamento por apenas dois violões (Armando Tito e Palinh Vieira), este último como produtor musical, enquanto os álbuns anteriores tiveram produção de Kim Alves (Folclore) e de Nando Andrade (Nova Aurora).

Clássicos da morna como “Miss Perfumado” (B.Léza), “Um ca crê ubi ondas tchora” (Jorge Pedro Barbosa) ou “Doce guerra” (Antero Simas) alternam-se com temas menos conhecidos e pouco gravados, caso por exemplo de “Moço amador” (Fausta d’Dada), mas o repertório de Cremilda Medina inclui ainda composições recente e inéditas (Miguel Silva aparece como compositor no terceiro álbum). O projeto musical da cantora é um exemplo de como a morna prossegue viva entre as novas gerações e tem nela uma guardiã.   

Discografia

  • Folclore, CD, Move Agency, 2017.
  • Nôs Morna, single, Move Agency,
  • Tributo Final, single, Move Agency,
  • Recordai, single, Move Agency,
  • Amá Sem Mêde, single, Move Agency,
  • Nova Aurora, álbum digital, Move Agency, 2023.
  • Lágrima, álbum digital, Move Agency, 2026. 

Para saber mais

Entrevista a Bantumen.

Ver e ouvir

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